Janeiro foi, sem dúvidas, um mês positivo, porém com alguns pontos de alerta, principalmente no que tange ao cenário internacional. Os ativos de risco seguiram com forte valorização no mês e os números relacionados à atividade econômica confirmaram o crescimento acelerado nas diversas regiões do mundo. Além disso, os baixos índices de inflação permitem que os principais bancos centrais sigam com os ajustes nas políticas de estímulo monetário. Acontece que enquanto o BoJ e o BCE seguem com uma postura ainda expansionista devido ao patamar da inflação muito abaixo das metas, o Fed continua com seu processo gradual de aumento das taxas juros, que contribuiu de certa forma para a abertura da curva de juros americana. Já nos primeiros dias de fevereiro vivenciamos uma forte turbulência na bolsa americana, que chegou a cair mais de 7% em um dia, após o relatório de trabalho dos EUA. Entendemos que este tenha sido mais um movimento de correção, uma vez que a bolsa segue em recuperação nos últimos dias.

“A consequência desta mínima histórica da Selic deve ser vista gradualmente na bolsa brasileira. Embora esta venha em um movimento de alta nos últimos 2 anos, ainda há espaço para crescimento, dado que muitas empresas estiveram bastante descontadas. ”

De todo modo, seguimos em alerta e atentos com relação aos desdobramentos deste movimento. Mesmo diante dos últimos acontecimentos terem acionado um ponto de alerta e da volatilidade que podemos passar, seguimos com o cenário positivo. Uma aceleração mais acentuada da inflação pode ser considerada o principal risco a ser acompanhado. Além disso, reforçamos que o aumento da taxa de juros americana, tende a impactar no fluxo de capital estrangeiro, favorecendo assim o dólar.

No que se refere ao Brasil, em janeiro os dados relacionados ao IPCA vieram abaixo do esperado, o que acaba tendo um impacto positivo na economia, dado que há uma descompressão nos custos das empresas e corrobora com a queda da selic. Como há espaço para mais cortes, o governo vem gerando estímulos através da política monetária, fruto disso foi a última redução da taxa de juros, que saiu de 7% para 6,75%, muito ancorada pela inflação abaixo da expectativa. A consequência desta mínima histórica da Selic deve ser vista gradualmente na bolsa brasileira. Embora esta venha em um movimento de alta nos últimos 2 anos, ainda há espaço para crescimento, dado que muitas empresas estiveram bastante descontadas. Além disso, com estes estímulos e mais atividade econômica, as empresas tem conseguido resultados melhores, o que significa maiores vendas, maiores lucros, logo, melhores dividendos. Tudo isso corrobora em um fluxo de capital maior para bolsa de valores, mesmo diante de um cenário de incertezas.
Vale ressaltar que o Brasil segue com suas velhas falhas estruturais, principalmente no que diz respeito às contas públicas. A votação da reforma da previdência, por exemplo, é um ponto crucial para um melhor equilíbrio das contas públicas e para retomada de algum investimento por parte do governo dentro da economia. Caso não seja aprovada, o governo terá muita dificuldade em se financiar e os juros devem retomar um movimento de alta imediatamente, uma vez que o país deverá oferecer mais prêmio aos seus  financiadores estrangeiros. Por fim, não podemos deixar de destacar também que um dos fatores que trouxeram impacto positivo para o mês foi a condenação em segunda instância do ex-presidente Lula no TRF-4 em 24 de janeiro de 2018. Com isso, a expectativa de que ele esteja definitivamente fora das disputas eleitorais, reduz drasticamente o risco político para as eleições de 2018.

Indicadores Econômicos
No mês de janeiro o Ibovespa fechou com forte alta de +11,14%, atingindo 84.912 pontos e acumulando um retorno de 31,30% nos últimos 12 meses. O CDI rendeu 0,58%, acumulando 9,40% em 12 meses. O Dólar caiu -4,05% no mês, cotado a R$ 3,1803 (fechamento de mercado), enquanto o Euro caiu -0,66% cotado a R$ 3,9512 (fechamento de mercado). No que se refere aos índices de inflação, o IGP-M de janeiro foi de +0,75%, dentro da expectativa do mercado. Com relação ao IPCA, o resultado de janeiro foi de 0,29%, uma variação em 12 meses de 2,85%, ainda abaixo do limite inferior da meta de inflação, que é de 3,00%.

Nossa Visão
Acreditamos que mesmo diante de tantos acontecimentos, permanecemos com um saldo positivo e um cenário macro mais otimista, porém com indícios de volatilidade no  curto/médio prazo. O importante é que no Brasil façamos o dever de casa de forma correta, através prioritariamente do controle das contas públicas, por meio principalmente da reforma da previdência, embora há pouca esperança de que tenha avanço e conclusão ainda este ano. Isso aumentaria a credibilidade e o risco soberano, impactando diretamente na confiança dos investidores internacionais. Uma vez aumentado o risco soberano temos uma frente de crescimento mais consolidada, atraindo, portanto, capital
estrangeiro para fomentar nosso crescimento.