Apertem os cintos!

As últimas notícias relacionadas ao aquecimento da economia americana estão causando um verdadeiro tumulto entre os ativos de risco nas bolsas globais. O mercado acionário nos Estados Unidos, por exemplo, passou pela maior queda dos últimos anos nesta segunda-feira, dia 05 de fevereiro de 2018. É importante ressaltar que diferente de 2008, a economia americana vai muito bem, o que caracteriza como um movimento de correção. Com a aprovação da reforma tributária nos EUA, algo bem favorável para a economia, teremos muito mais dinheiro circulando no mercado americano, o que deverá ter um impacto forte na inflação. Principalmente porque a maior injeção de capital via o “tax reform” vem em um momento em que a economia dos EUA já está sólida, ou seja, em um momento “economicamente desnecessário”. Dessa forma, o mercado já prevê um aumento mais hawkish das taxas de juros dos EUA, o que impactará diretamente no fluxo de capitais externos, favorecendo o dólar. Acontece que essa onda de turbulência tem afetado bolsas de valores de diversos países, inclusive o Brasil. Embora as expectativas com relação aos cenários de alta volatilidade nos mercados, a bolsa  brasileira tem se mostrado resiliente. Já o dólar demonstrou maior flutuação, passando por momentos de baixa e de alta nos últimos dias, mantendo um equilíbrio com a ajuda dos contratos de swap cambial feitos pelo Banco Central. Além disso, o câmbio também é bastante influenciado pelas questões relacionadas à Reforma da Previdência. Dito isso, a indefinição que paira sobre este assunto, apenas reforça a tendência mais altista do dólar, uma vez que o risco Brasil aumenta.

Grande ponto de alerta!!

Face à tantos acontecimentos importantes, identificamos um grande ponto de alerta: Reforma da Previdência. Durante meses e meses, os especialistas e economistas têm alertado a importância desta reforma com vistas ao equilíbrio fiscal do país. O Brasil ainda tem prêmio, mesmo com mais um recuo da Selic de 7% para 6,75%, menor taxa da história. Ainda assim os ganhos reais sobre a taxa de juros no Brasil são altos, perdendo apenas para alguns países como Argentina e México. Naturalmente, haverá um fluxo que deve migrar, mas que retornará em busca de prêmio. Dito isso não há necessidade para um pânico exacerbado, mas sim atenção e cautela, principalmente no que diz respeito ao câmbio, que tende a ficar mais sensível, no momento.

Sai ou Não Sai? Eis a questão!

É perceptível que há um embate com relação à aprovação da reforma. Sem essa aprovação, o custo para o Brasil será muito alto, uma vez que não há equilíbrio fiscal, o que pode ocasionar uma derrocada para o país. Sendo assim, além das questões internacionais temos um agravante local determinante. Exatamente por conta desta indefinição, é natural que o câmbio sofra mais com as volatilidades, não sendo, portanto, um movimento favorável para o real, que tende a passar por depreciações. De acordo com o boletim Focus, a previsão do câmbio para o fechamento de 2018 é de R$3,30/R$3,40.